segunda-feira, 21 de março de 2016

MANCHA BRANCA

MANCHA-BRANCA- Phaosphaeria maydis

A mancha branca é considerada, atualmente, uma das principais doenças da cultura do milho no Brasil, estando presente em praticamente todas as regiões de plantio de milho no Brasil. As perdas na produção podem ser superiores a 60% em situações de ambiente favorável e de uso de cultivares suscetíveis.

ETIOLOGIA
 Tendo origem pelo fungo Phaosphaeria maydis o ,inóculo primário vem dos  restos culturais, não apresentando hospedeiros alternativos até o momento. Vento, respingo de chuva, sementes contaminadas, são fatores determinantes para a disseminação do patógeno. Nos picnídios estão presentes os esporos, alongados ou levemente arredondados, hialinos.

SINTOMAS

 As manchas se apresentam nas folhas e palhas da espiga, de formato  arredondada, alongada ou pouco irregulares, cloróticas inicialmente com diâmetro variando de 0,3 a 1cm,  tornando-se maiores posteriormente. Pode ocorrer a coalescência de lesões, ocasionando a morte de parte ou até de todas a área folia. Partes reprodutivas do fungo podem ser encontradas no centro das lesões.

Figura 1: Sintoma Mancha Branca na folha
     Fonte:  Brugnera. IFMT, Campo Novo do Parecis, 2016

EPIDEMIOLOGIA
A doença é favorecida pela temperatura que varia de 15 a 25ºC, elevada precipitação e umidade relativa acima de 55%, longo período de orvalho. Vento, respingo de chuva, sementes contaminadas, são fatores determinantes para a disseminação do patógeno.

CONTROLE
Rotação de cultura com dicotiledôneas , evitar plantio sucessivo de milho pipoca e sucessão com milho, incorporação dos restos cultuais., aquisição de sementes sadias e variedades resistente ou tolerantes quando disponível, aplicação de fungicidas para controle químico a base de triazol e estrubilurina. 


CERCOSPORIOSE

CERCOSPORIOSE Cercospora zeae-maydis
A doença foi observada inicialmente no Sudoeste do estado de Goiás no ano de 2000. Atualmente a doença está presente em praticamente todas as áreas de plantio de milho no Centro Sul do Brasil. A doença ocorre com alta severidade em cultivares suscetíveis, podendo as perdas serem superiores a 80%.

ETIOLOGIA
Causada pelo fungo Cercospora zeae-maydis

SINTOMAS

 Os   sintomas    característicos são  manchas     de   coloração   cinza, predominantemente retangulares, com as lesões desenvolvendo-se paralelas

às nervuras.  Em situações de ataques mais severos, as plantas tornam-se mais predispostas às infecções por patógenos no colmo, resultando em maior incidência de acamamento de plantas.
Figura 1: Sintoma Cercosporiose na folha

     Fonte:  Brugnera. IFMT, Campo Novo do Parecis, 2016




 EPIDEMIOLOGIA
 A disseminação ocorre através de esporos e de restos de cultura  são levados pelo vento ou respingos de chuva. Os restos de cultura são, portanto, fonte de inóculo local e, também, para outras áreas de plantio. A ocorrência de temperaturas entre 25 e 30oC e de umidade relativa do ar superior a 90% são consideradas condições ótimas para o desenvolvimento da doença.


CONTROLE
Utilização  de cultivares resistentes. Destruição de restos da cultura de milho ,realizar a rotação com culturas não hospedeiras(dicotiledôneas),  evitar o plantio seguido de milho na mesma área; realizar adubações de acordo com as recomendações técnicas para evitar desequilíbrios nutricionais nas plantas, o controle químico deve ser avaliado como uma opção para o manejo da doença utilizar fungicidas a base de estrubirulina e triazol .

CARACTERISTICAS DAS PARCELAS E TRATAMENTOS UTILIZADOS NA CANA-DE-AÇÚCAR

  O experimento foi instalado no dia 30 de novembro de 2015, constituído por 4 parcelas de 5 x 7 metros. Cada parcela obteve os seguintes tratamentos: a primeira parcela com tratamento de semente (TS) e aplicação de fungicida preventiva, a segunda tratamento da semente e fungicida curativo, a terceira parcela com tratamento de semente e a quarta parcela não recebeu nenhum tratamento. A cultivar implantada foi a RB86-7515 , variedade tardia com ciclo em torno de 400 dias do plantio até seu corte , a adubação adotada foi  250 Kg Há-1 da formula 0-20-20, com plantio manual e espaçamento entre linhas de 1,20 metros.
   O plantio foi manualmente com abertura de sulcos a uma profundidade de 10 cm.  Vinte dias após o plantio foi feita a capina manual e adubação de cobertura com nitrogênio(30 kg/há-1). No inicio do estágio vegetativo, foi realizado adubação de cobertura com nitrogênio(60 kg/há-1)e potássio (35 kg/há-1)

Figura 1: Área experimental da cultura da Cana-de-açúcar
Fonte: Andreotti, 2016 – IFMT- Campus Campo Novo do Parecis.

As principais doenças encontradas na área foram , Escaldaduras das Folhas, Mancha Anelar , Podridão Vermelha e Estria Vermelha . As doenças encontradas variam de região e qual a variedade adotada e suas resistências  , afinal é o principal método de controle de doenças da cana-de-açúcar é adoção de variedades resistentes .

EXPERIMENTO PARA AVALIAÇÃO FITOPATOLÓGICA DO ARROZ (Oryza sativa)


O experimento foi instalado em Campo Novo do Parecis, (13°40'36.4"S 57°47'24.6"W) com altitude de 562°, centro-oeste do Estado do Mato Grosso, durante o ano agrícola 2015/2016, em um Latossolo Vermelho Distrófico. O clima da região é equatorial e tropical quente e úmido, com temperatura anual média de 24°C, precipitação média anual de 1.900 a 2.400 mm e umidade média anual de 65%.
O plantio foi dividido em quatro blocos, na qual cada unidade possui dimensão de 5m de largura por 7m de comprimento (Figura 01). A variedade utilizada no plantio foi AN CAMBARA, porte médio, ciclo 105 dias, florescimento 75 dias. Os tratamentos utilizados constituíram-se de plantio com tratamento de semente (TS) mais aplicação de fungicida preventivo, TS mais aplicação de fungicida curativo, TS sem aplicação de fungicida e a quarta parcela sem TS e sem aplicação de fungicida. O tratamento de semente foi realizado com CARBOXINA-TIRAM.
A implantação do experimento iniciou-se no dia 30 de outubro de 2015, com a adubação da área, NPK (0,25,25) 250kg/ha em linha, o plantio foi feito manualmente com população de 1.800.000/ha, profundidade 0,025m e espaçamento entre linhas de 0,45m.

Figura 01: parcela experimental
                    Fonte:  Andrade; Brugnera. IFMT, Campo Novo do Parecis, 2016.


Dentre os tratos culturais se inclui, limpeza periódica da área contra daninhas, adubação de cobertura com 30 pontos de N apos o plantio e 30 pontos de N no inicio do reprodutivo (Figura 02).

Figura 02: área apos os primeiros 15 dias de plantio
                       Fonte:  Andrade; Brugnera. IFMT, Campo Novo do Parecis, 2016.

         A primeira doença em ocorrência na área foi Mancha Parda (Bipolaris oryzae), apos 30 dias de plantio, no qual foi aplicado na primeira parcela o preventivo com fungicida de contato e sistêmico, visando a não ocorrência da doença que causa maior dano econômico a cultura Brusone (Pyricularia grisea). 
        A aplicação do curativo na segunda parcela foi realizada, 60 dias apos a implantação da cultura quando a doença, Brusone ja estava instalada na área, (Figura 03).

Figura 03: primeiros indícios de Brusone (Pyricularia grisea) na segunda parcela
                           Fonte:  Andrade; Brugnera. IFMT, Campo Novo do Parecis, 2016.

     A doença de ocorrencia com maiores danos a cultura devido a condições de alta precipitação, somente pode ser vista nas duas ultimas parcelas, Escaldadura (Gerlachia oryzae), levando a percas de ate 35% da área experimental na terceira parcela, (Figura 04).

Figura 04: Ocorrecia severa de Escaldadura (Gerlachia oryzae)
                            Fonte:  Andrade; Brugnera. IFMT, Campo Novo do Parecis, 2016.

Escaldadura das Folhas

ESCALDADURA-DAS-FOLHAS - Xanthomonas  albilineans

Foi identificada na Austrália e Java e hoje é encontrada em todas as regiões produtoras de cana  no mundo.

Etiologia
O agente causal da doença é uma bactéria gram-negativa denominada Xanthomonas albilineans que é capaz de colonizar os vasos do Xilema da planta.

Sintomas
Em variedades suscetíveis a doença pode causar grandes perdas, devido a queima das folhas e morte dos colmos, já as variedades tolerantes podem servir como um depósito do patógeno. Alguns fatores como o aumento da umidade durante a maturação e estresses provocados por seca, frio e inundação podem intensificar os sintomas. Plantas atacadas pela doença apresentam três tipos de infecção:
LATENTE (assintomática) que pode ser identificado apenas por métodos de alta sensibilidade.

CRÔNICA: Sintomas variando de estrias brancas e finas ao longo de toda folha, paralelas a nervura central até as bainhas foliares.
AGUDA: Sintomas de “queima” das folhas, evoluindo da ponta ou pelas margens podendo necrosar totalmente a folha. Os colmos podem apresentar descoloração dos feixes do xilema na região do “nó”, com a morte da gema apical, surgem brotações laterais por todo colmo.
Figura 1: Sintoma Escaldadura das folhas
     Fonte:  Brugnera. IFMT, Campo Novo do Parecis, 2016

Epidemiologia
A doença é disseminada principalmente por instrumentos de corte, podões e colhedora e também pela utilização de mudas contaminadas. Os ventos e as chuvas podem disseminar a doença por longas distâncias, quando espalham a bactéria presente em áreas mortas (necroses) das plantas afetadas. Condições de estresse (frio, seca ou temperatura muito alta) induzem o aparecimento da fase aguda da doença.

Controle
Utilização de variedades resistentes associada à produção de mudas certificadas, com alta sanidade. No campo pode-se evitar a disseminação da doença através da desinfecção e limpeza dos instrumentos de corte, com a utilização de produtos químicos que contenham bactericidas (amônia quaternária). As operações de “roguing” proporcionam uma boa medida de controle na produção de mudas de cana-de-açúcar.

domingo, 20 de março de 2016

CARACTERISTICAS DAS PARCELAS E TRATAMENTOS UTILIZADOS NO SORGO

         O experimento foi instalado no dia 30 de novembro de 2015, constituído por 4 parcelas de 5 x 7 metros. Cada parcela obteve os seguintes tratamentos: a primeira parcela com tratamento de semente (TS) e aplicação de fungicida preventiva, a segunda tratamento da semente e fungicida curativo, a terceira parcela com tratamento de semente e a quarta parcela não recebeu nenhum tratamento. A aplicação preventiva foi realizada no dia 02/01/2016 com grupo químico triazol + estrubilurina (500 ml/há-1), já a aplicação curativa foi realizada no dia 20/02/2016. O tratamento de sementes foi realizado com inseticida/fungicida grupo químicos das estrobilurinas, benzimidazol e pirazol (400 ml/100 kg de semente)(Figura 2).



Figura 1: Área experimental da cultura do Sorgo
Fonte: MACHADO; CHECCHIO, 2016 – IFMT- Campus Campo Novo do Parecis.

        

          A cultivar implantada foi a Ranchero, granífero ausente de tanino, de ciclo semi precoce com florescimento entre 60 a 65 dias após a emergência e colheita entre 125 a 130 dias após a emergência. Considerada uma variedade susceptível as doenças. No preparo da área foi composto por: escarificação e posterior destorroamento, as linhas foram demarcadas por uma semeadora, regulada para 250 Kg Há-1 da formula 0-20-20, com plantio manual e espaçamento entre linhas de 0,45 m e 8 sementes por metro.
   O plantio foi manualmente com profundidade de 3 cm. O espaçamento de 0,45 m entre linha e 5 plantas por metro linear. Vinte dias após o plantio foi feita a capina manual e adubação de cobertura com nitrogênio(30 kg/há-1). No inicio do estágio vegetativo, foi realizado adubação de cobertura com nitrogênio(60 kg/há-1) e potássio (35 kg/há-1) e aplicação de inseticida do grupo químico organosfosforado (0,75 kg/há-1). Na fase foi feita adubação de cobertura com nitrogênio (60 kg/há-1) e potássio (35 kg/há-1), capina manual e aplicação de inseticida do grupo químico peretroide (200 ml/há-1). 

     O uso de inseticidas era semanalmente devido á alta incidência de Lagarta do Cartucho
(Spodoptera frugiperda). Na fase vegetativa foi realizado a ultima capina, pois com o adensamento da cultura controlou a infestação de plantas daninhas na parcela. A adubação de cobertura foi realizado aproximadamente 30 a 35 dias após a emergência.
 



Figura 2: Ferramenta adaptada para plantio da cultura e Produto utilizado para (TS)
Fonte: MACHADO; CHECCHIO, 2016 – IFMT- Campus Campo Novo do Parecis.



As doenças que apareceram na cultura foram o Míldio, Helmintosporiose, Antracnose, Mancha Foliar de Pyriculária, Doença açucarada do sorgo, Mancha Zonada e Risca Bacteriana. Segue a descrição das doenças a baixo.

MÍLDIO NO SORGO

    O míldio do sorgo é uma doença com ampla faixa de adaptação climática, sendo encontrada em todas as regiões de plantio de sorgo no Brasil. Em cultivares suscetíveis, os danos à produtividade podem chegar a 80% sob condições favoráveis ao desenvolvimento da doença. Plantas com infecção sistêmica tornam-se estéreis e não produzem grãos. Resultados de pesquisa têm demonstrado uma relação linear significativa entre a incidência de infecção sistêmica e perdas no rendimento de grãos na cultura.

 Etiologia

      Peronospora parasitica este fungo causa doença em brasicáceas (crucíferas - brócolis, couve, couve-flor, rabanete, repolho e rúcula) na fase de sementeira, afetando a formação dos cotilédones e das mudas. Os conídios, produzidos nas extremidades de esterigmas, medem de 15 a 29 mm de comprimento por 15 a 27 mm de largura, são hialinos, ovalados, desprovidos de papilas e de poros e germinam formando tubos germinativos. Os oosporos são produzidos no mesófilo, entre os feixes fibrovasculares, apresentam forma esférica, com diâmetro de 25 a 42 mm, são hialinos, amarelados e envolvidos pelas paredes do oogônio, com espessura irregular

        A forma localizada da doença resulta da infecção das folhas por conídios, que causam lesões necróticas. Sob condições de alta umidade, o patógeno produz uma grande quantidade de conídios, apresentando o mesmo crescimento algodonoso e branco observado na infecção sistêmica. As lesões são retangulares e medem aproximadamente 1 a 4 x 5 a 15 mm.


        Sintomas

    O míldio ocorre na forma de infecção sistêmica e localizada. Os sintomas típicos de infecção sistêmica são a formação de estrias paralelas de tecidos verdes alternadas com áreas de tecidos cloróticos. Em condições de temperatura amena e ambiente úmido, a superfície abaxial da área foliar clorótica é coberta por uma camada branca, que consiste de conídios (esporângios) e esporangioforos de P. sorghi. Em estádios mais avançados, a área de tecidos cloróticos torna-se necrótica e é rasgada pela ação do vento, liberando os oósporos no solo através dos quais o patógeno sobrevive na ausência do hospedeiro. A infecção localizada caracteriza-se por manchas cloróticas, retangulares, limitadas pelas nervuras laterais, que também podem apresentar crescimento pulverulento branco na superfície abaxial das folhas em condições úmidas e frias.

                
             
Figura 1: Sintoma de Míldio na folha do Sorgo.
Fonte: MACHADO;CHECCIO, 2016 – IFMT- Campus Campo Novo do Parecis







Figura 2: Sintoma de Míldio na folha do Sorgo.
Fonte: MACHADO;CHECCIO, 2016 – IFMT- Campus Campo Novo do Parecis


        Epidemiologia

      O patógeno produz, em plantas com infecção sistêmica, uma estrutura de resistência denominada de oósporos, os quais são liberados para o solo quando as folhas são rasgadas pelo vento. Estes oósporos podem sobreviver no solo por longos períodos de tempo e irão infectar plantas suscetíveis no próximo plantio. A temperatura mínima no solo para infecção pelos oósporos é de 10°C. As ocorrências de temperatura em torno de 18 a 20°C, elevada umidade relativa do ar e incidência de luz solar por algumas horas, antes de períodos úmidos, são consideradas ótimas para a produção de esporângios, estrutura responsável pela disseminação da doença na lavoura.

       Controle


     A medida mais eficiente para o manejo do míldio é o uso de cultivares resistentes. Atualmente, existem cultivares com bom nível de resistência ao míldio, mas, como o patógeno apresenta elevada variabilidade genética (o que lhe permite adaptar-se com certa facilidade aos genes de resistência em uso), trabalhos de identificação de novas fontes de resistência devem ser realizados continuamente. A utilização de outras medidas que permitam a redução do potencial de inóculo do patógeno na área, como rotação de culturas, aração profunda e eliminação de restos culturais e hospedeiros alternativos, deve ser feita num sistema de manejo integrado.